quinta-feira, 16 de junho de 2011

E agora, sinais de Transe

Li, hoje de manhã, um texto publicado, pelo inevitável noticiasdonorte.com, a propósito da nova sinalização de transito colocada nas ruas do Mindelo. Há uns dias atrás comentei com amigos que não iria demorar muito até os condutores começarem a reclamar ou, como é de esperar, a colocar defeito. Típico do caboverdiano: não se fez, está mau. Fez-se, pior ainda.

Dito e feito. A notícia lá apareceu, sorridente, cheia de si, apesar de não me parecer correta. Não é muito o meu apanágio ficar sem comentar quando duvido idoneidade dos conteúdos. Vai daí, escarrapachei os meus dizeres:
A questão de complementaridade entre a sinalização vertical e a sinalização rodoviária não me parece correta e pode induzir em erro. Parece-me que o autor não terá respeitado uma das principais regras do jornalismo que nos obriga a ouvir as duas partes. No caso, a outra parte seria o código de estradas em vigor. Numa consulta às regras internacionais de condução (incluindo o código português, no qual o de CV é baseado) não me foi possível comprovar a veracidade da dependência entre um e outro sinal. Parece-me que (passo a citar o texto)«Porque diante do nosso código de estrada os sinais no pavimento não têm qualquer sentido”.» (fim de citação) é uma afirmação incorreta, senão dúbia. Confesso que ainda não consegui ter acesso a um exemplar do código em vigor no nosso país mas parece-me, a julgar pelas pesquisas citadas, não haver qualquer dependência da sinalização rodoviária em relação à vertical. Sugiro ao autor que faça publicar, neste on-line, um estrato do código em vigor em Cabo Verde que comprove tais afirmações, visto que o seu texto parece concordar com a ilegalidade dos ditos sinais, colocados em algumas vias do Mindelo. Porque, se estiver errado, estará a provar que a maior parte dos condutores que circula pelas nossas estradas e vias não está corretamente habilitado para tal, demonstrando um claro desconhecimento das regras de transito(para não falar em regras de puro civismo). Caso as afirmações estejam certas (o que duvido), muita gente ficará esclarecida. Eu, inclusivé.

Engraçado foi que, um dos opinantes do texto é taxista. Ora, qualquer um sabe que os taxistas mindelenses estão formatados para ignorarem qualquer sinal que esteja pintado na via pública, ainda que previsto na lei. Alguém que pergunte a um taxista para que servem as passadeiras, os traços contínuos da cidade ou da estrada para São Pedro. Resposta: «meras pinturas decorativas sem outra função que não seja a de embelezar as estradas, ainda que eu pessoalmente não veja qualquer beleza naqueles riscos. Se fossem com outras cores, mais vistosas, umas silhuetas de raparigas, ou mesmo uma pintura de mulheres nuas, se calhar, até parava para ver»

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